top of page

Não se trata de cena. Portanto também não se trata de conteúdo representado por uma forma. Aloka das Américas é, sobretudo, um experimento ambulante em corpo-câmera, que problematiza uma economia consolidada sobre a arte híbrida em seus esquemas burgueses, eugênicos e neoimperialistas. É uma ode à loucura, à ausência de disciplina e de seus consequentes planejamentos num sistema produtivo de mais valia, que herda a lógica industrial de uma reprodutibilidade técnica. Aloka das Américas, então, é qualquer coisa que se dá na relação corpo-câmera sob uma perspectiva autorreferente. Qualquer coisa pois não se configuram mais os limites que determinam categoricamente aquilo que pode ou não ser nomeado como arte. Afinal, não nos interessa mais perguntar o que é dança ou o que é cinema. Essas definições estão alicerçadas por uma tentativa formal de determinar e categorizar as experiências estéticas durante um processo historiográfico que foi eminentemente eurocentrado. Por isso, em seus hibridismos experimentais, Aloka se manifesta pelas diferentes Américas colonizadas à força, especialmente a América em que reside, do Sul: o Brasil, em toda sua irmandade latina.

 

O projeto não apenas ambienta as questões políticas inerentes a estranheza do meu corpo em movimento no espaço público, como também se traduz por um experimentalismo amador que recusa qualquer disciplina sobre a experiência estética e sobre a política. Nesse sentido, interessam-me as provocações dadaístas do início do século XX e suas alegorias intraduzíveis ou irracionais. A abstração, em certo sentido, vem do pensamento em sua aleatoriedade múltipla, não-logocêntrica, e de suas tensões políticas com a loucura – mais uma categoria formal da experiência social que se tornou responsável por dividir corpos, legitimando-lhes ou recusando a possibilidade de convívio – , a fim de confrontar as orientações que qualificam quais seriam as ações desejáveis a um corpo em sua experiência cotidiana. A dança, em sua simbiose com o pensamento, rompe com qualquer expectativa da mímica social e cria vácuos, produzindo incoerências à temporalidade determinada pelo sistema de consumo que adotamos enquanto pretensa universalidade para os modos de existência.

aloka

imagem: Luana Farias

  imagem: Jéssica Lemos 

bottom of page